quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cala – te, Coração! Não adianta chorar assim. Agora tudo é mudo e já não te ouvem como antes. Teus soluços só te sufocam. Nada mais. Sei que tirei teu sono e o bem-bom das noites tranqüilas. Sei também que andei fazendo rebuliço nas tuas coisas, nos teus pertences, nos teus livros e ate nos teus perfumes. Fiz passeata em tuas avenidas, protestos em tuas resistências e greve na tua presença. Mas, diante de tudo, sei também que minhas mãos fizeram festas no teu corpo e meu riso deu vida aos teus quadros, tuas cores e te coloquei no meio da escolha entre o inferno e o paraíso. E foi assim que eu cheguei, sem avisar que vinha. E entrei sem avisar que ia entrar. E fiquei ali, com cheiro de mar, de costas pra porta que você mesma fechou. Você me olhou com esses olhos de anjo e pecado, na doce delicia de quem cumpre suas penitencias. Me olhou como se eu fosse o único culpado de todas as tuas lagrimas. Eu me aproximei diante de tua força. Você me olha, mexe no cabelo,e me acusa sem intervalo. Pensei: Ela vai se entregar...vai sim!

Me enganei!

Eu entrei pela porta e você disse:

- Agora que entou, não quer se sentar ?

- Não, obrigado. Respondi

Você continuou ali, encostada na porta, sem entender como entrei mesmo estando a porta fechada à chave. E entre um trago e outro me perguntou por que invadi teu espaço e mexi nas tuas coisas. E com os olhos úmidos, disse que não tinha nada a me oferecer. Absolutamente nada! Eu olhei tuas transparências e te mostrei que o amor é grande por si só. É tão grande que não precisa ser correspondido pra ser amor feliz. Portanto, cala-te coração, que chorar assim é chorar em vão.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Nunca fui menina bem alienada.pudera,nunca tive vocação pra ser Amelia,pra segueira mutipla e discursos sem opnião própria.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.Não estou aqui pra que gostem de mim.Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venham com meios-termos,com mais ou menos ou qualquer coisa.Venha a mim com opniões formadas, alma, vísceras, tripas e ideais...
Eu acreditoé em alegrias explosivas, em olhares faiscantes,em sorrisos com os olhos, em xingamentos amáveis, em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala verdades, na voz e no conteúdo.
Eu acredito em profundidades.
E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.
São eles que me dão a dimensão do que sou.